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2012
21 / Junho
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Cannes Lions (Brasil / Mundo)
Cannes Lions 2012
O Rehab da Amy (F. Campos)
Escrevi um artigo há 4 dias sobre o vício brasileiro na publicidade de mentira e minha caixa de entrada explodiu (aqui). Claro que eu esperava repercussão, mas o volume foi bem, bem maior do que eu poderia imaginar. Normalmente, nestes casos, significa que alguém disse o que todo mundo estava a fim de dizer, mas ninguém ainda tinha dito. Seja qual for o motivo da repressão. E sabemos que, neste caso, os motivos são vários.
O maior deles é o rabo preso. Pode ser com o próprio empregador. Com o cliente que topou o fantasma. Com o plano de carreira. Ou pior, com a própria história.
Resolvi encher o saco de vocês só mais esta vez pra tentar libertar pelo menos aqueles que estão presos à própria história de vida.
Eu já fiz fantasmas. Pronto, falei (trilha dramática, de revelação). Claro que já fiz. O meu primeiro Leão foi um filme brifado por nós mesmos para um cliente minúsculo (a faculdade de economia da Universidade Santa Úrsula), que levamos pronto para as freiras que administravam a escola e convencemos as coitadas a aprovar pra Cannes. Elas sequer entenderam. 1998. Mais fantasma, impossível. Sem briefing nenhum. Pronto, amigo futriqueiro. Dá um copy paste neste parágrafo aqui e divirta-se no Facebook dizendo que eu não tenho moral pra falar do assunto. Ou seja adulto e leia até o final do texto.
Ganhei muito prêmio com coisa de verdade, e sobretudo perdi muito prêmio com coisa de verdade (na minha opinião, o melhor que fiz não premiaram, e premiaram muita coisa média, mas, enfim…). E ganhei com fantasmas. E, vergonha máxima, perdi com fantasmas.
E aprendi.
Alguns citaram o Leão do Ipas, devolvido (não “cassado”) em 2006 pela Giovanni. Vou contrariar muita gente aqui, mas se vamos falar a verdade, vamos falar a verdade: essa campanha é REAL, foi brifada, tivemos duas reuniões na agência com médicos e advogados da entidade sobre a questão do aborto, incluindo criativos, planejadores e atendimentos e, se houve um único facilitador no processo, foi o ilustrador que topou fazer de graça porque uma ONG não tem grana mesmo.
A agência devolveu o Leão, numa atitude emocional, por motivos que são prerrogativa e direito dela, e de seus gestores na época. Não cabe a mim, que tinha saído pra fundar minha própria agência, julgar. Um ano depois, a própria Santa Clara, recém fundada, foi finalista em filmes para o mesmo cliente com outro trabalho brifado, aprovado e veiculado. Repito: fiz fantasmas. Esse não foi um deles. Não foi.
Isso é o assunto? Não é, isso é meu assunto, não perca tempo com ele. O assunto é, e foi lapidado por todos os muitos comentários que surgiram do texto original da Amy. O assunto é: precisamos de fantasmas? Precisamos de 70 Leões em Cannes?
Acho que não precisamos. Precisamos, como já disse, cuidar do nosso negócio. Exageramos. Passamos do limite. Transformamos nossos Leões em Mico-Leões. Estamos sendo ridicularizados por cliente e por outros países. Chega.
Faça um exercício, leitor: pegue cada um dos Leões brasileiros deste ano e tente uma busca no Google. Primeiro tente pelo nome da peça e do cliente. E anote quantos resultados anteriores a maio de 2012 aparecem. Você vai ficar chocado. Porque não aparece quase nada. O que significa, caro leitor, que as peças NÃO EXISTEM. Ou então foram tão irrelevantes para o consumidor e para a própria agência que ninguém se dignou a postar num blog, num videozinho vagaba do Youtube. Pense em quanta coisa irrelevante é postada hoje em dia. Um peça leonada não teria sido postada?
Foi o mesmo raciocínio do texto publicado pelo Meio&Mensagem em cima do meu artigo: como poderia o Meio&Mensagem não ter recebido quase nada ao longo dos últimos meses do que foi premiado agora em Junho?
Fiz o teste. Googlei. E cheguei à conclusão de que até agora temos mesmo algo como 10 Leões e uns 58 Micos-Leões. A discrepância é muito grande.
Mas quer saber o mais incrível? São dez ÓTIMOS Leões. Poderíamos estar bem melhores na fita se estivéssemos apenas com estes dez. Não, não cada um de nós. TODOS nós. Este é o ponto. Porque pro indivíduo, pro drogado individual, a viagem está ótima. Mas o mercado criativo brasileiro como um todo está ficand o apenas com a parte da ressaca. Acho que começa a se formar uma percepção de que NÃO PRECISAMOS DOS FANTASMAS. Precisamos sim de coragem pra largar o vício, largar a muleta.
E aí, vamos cair na real e reagir? Eu estou limpo há pelo menos 6 anos, um mês e 18 dias. Tenho uma agência que apareceu no ranking elaborado pelo Meio&Mensagem no ultimo ano como uma das 10 mais premiadas do Brasil, sem inscrever fantasmas e sem “fazer Cannes”. Convido você a fazer o mesmo, de coração aberto, de alma limpa. Repito: não precisamos disso.
Leia nota anterior sobre o assunto aqui.
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Comentários
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22/06/12 Romero Cavalcanti
Fernando Campos, meu apoio incondicional. Pra mim vale isso mesmo... Não interessa se alguém já teve telhado de vidro, porque a pedra está sendo jogada agora. Amadurecemos, graças a Deus. Obrigado pelo seu serviço à propaganda que teve cliente, briefing, limitações e desafios, e que ainda assim foi premiada. Ela é infinitamente mais valiosa. Abraços.
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21/06/12 André
Há controvérsias. http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1108286-apos-admitir-surto-psicotico-charlie-sheen-diz-que-ve-fantasmas.shtml
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